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Manchete: "A gula do cartel da merenda"

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Gula do Cartel da Merenda
A gula da merenda escolar
Fonte: Revista Época. Reportagem original da revista época, LEANDRO LOYOLA.
Uma investigação mostra como empresas e políticos lucraram com a corrupção no fornecimento de comida para escolas - e como as crianças passaram a comer menos, e pior.

A comida: Um prato de merenda escolar servido em uma escola de "São Paulo", cidade brasileira. As empresas são acusadas de usar ingredientes de má qualidade e de servir porções menores do que o esperado.


Um prato com arroz, feijão, pedaços de carne e algum legume, combinado com uma fruta e um suco. É a rotina de milhões de estudantes de escolas públicas. Para as crianças, a merenda é uma refeição importante do dia. Após quatro anos de investigação, o Ministério Público do Estado de São Paulo afirma que esse pequeno prato tem um valor igualmente imenso - mas de outra natureza - para uma organização criminosa que funcionou nos últimos dez anos em 57 cidades do estado de São Paulo. Seis fornecedoras de merenda são acusadas de superfaturar contratos - e políticos e funcionários públicos, de receber propinas.
Um negócio movido a fraudes.
De acordo com o Ministério Público,
as empresas cometiam várias irregularidades
para aumentar seus lucros.
Essas empresas são acusadas de, para obter lucro, cobrar caro e, em muitas ocasiões, servir aos alunos comida de pior qualidade. De acordo com as acusações, ofereciam alimentos mais baratos, como cubos de carne e frango em vez de coxa e antecoxa. Os legumes, que deveriam ser cortados frescos, já chegavam picados. Em São Paulo, o contrato com a prefeitura especificava o fornecimento de maçã "Tipo A". Mas a maçã fornecida era do "Tipo C", de pior qualidade. As merendeiras eram orientadas a servir porções menores. Enquanto o contrato mandava servir uma maçã de sobremesa, as escolas paulistas serviam meia maçã(maçã pela metade).
As empresas acusadas são: "SP Alimentação, Nutriplus, Geraldo J. Coan, De Nadai/Convida, Sistal" e "Terra Azul." Elas serão denunciadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por formação de cartel - prática em que há um acerto para combinar preços e estratégias -, fraude a licitações, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação dos promotores "Sílvio Antonio Marques" e "Arthur Pinto de Lemos Júnior", as empresas renunciaram à concorrência, combinaram o "jogo" e passaram a ganhar contratos superfaturados, pagando a propina à prefeitos e à secretários municipal.
Segundo a ação, as empresas podem ter distribuído até R$ 400 milhões em propina. Isso equivale a 10% do que faturaram - o negócio de merendas movimentou cerca de R$ 4 bilhões. "Trata-se de um cartel que ajudou prefeitos e secretários no desvio de dinheiro público, como também prejudicou milhões de estudantes, que receberam durante anos refeições de péssima qualidade". O promotor Arthur Lemos preferiu não se manifestar.
A investigação ganhou "corpo" ao encontrar uma testemunha-chave: Genivaldo dos Santos, ex-sócio da Verdurama, uma das empresas do grupo SP Alimentação(São Paulo = SP), um dos maiores no país no ramo da merenda. Entre 2002 e 2008, Genivaldo participou do esquema de fraude de concorrências e ajudou a subornar políticos e funcionários públicos. Em 2010, ele assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público(MP). Desde então, deu mais de 30 depoimentos, em que contou como eram feitos os acordos, revelou o nome dos envolvidos e deu detalhes dos negócios ilícitos.
Com cerca de 2 milhões de refeições servidas por dia, a prefeitura de São Paulo é o maior cliente do país de merenda escolar. Segundo Genivaldo, as empresas do cartel, entre 2001 e 2011, pagaram sistematicamente propinas a funcionários da prefeitura de São Paulo durante as administrações de Marta Suplicy (2001-2005), José Serra (2005-2006) e Gilberto Kassab (a partir de 2006). As empresas começaram a fornecer merenda à prefeitura durante a gestão Marta. Até ali, era a prefeitura que comprava alimentos – e as merendeiras preparavam a comida. A gestão Marta passou a comprar das empresas 30% da merenda servida nas escolas. Por economizar gastos, a terceirização é considerada uma boa medida. O problema em São Paulo é que ela veio acompanhada da corrupção.

Segundo a investigação do MP, o grupo formado pelas empresas SP Alimentação, Geraldo J. Coan, De Nadai e Nutriplus pagava propina de 7% dos valores dos contratos a integrantes da gestão Marta. Os promotores obtiveram amostras disso a partir de uma operação de busca e apreensão realizada, em julho de 2010, na casa de Sílvio Marques (homônimo de um dos promotores que investigam o caso). Funcionário da SP Alimentação, Marques era encarregado da parte financeira do esquema de corrupção. Para sorte da Justiça – e azar dos envolvidos –, ele mantinha os registros dos negócios sujos em pen drives. Confrontado com os testemunhos de Genivaldo, o acervo eletrônico de Marques deu feições mais nítidas ao esquema. Entre os dados está uma planilha com a contribuição de cada empresa do cartel para o pagamento de propina à Secretaria Municipal de Abastecimento de São Paulo, entre agosto de 2003 e fevereiro de 2004. Segundo o documento, a SP Alimentação pagou R$ 321 mil; a Geraldo J. Coan, R$ 348 mil; a De Nadai, R$ 292 mil; e a Nutriplus, R$ 241 mil.

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Espero que tenham gostado dessa reportagem, ela é muito longa, mas eu sei que não querem ler tudo. Ás vezes fica chato uma postagem enorme, como um detonado de um jogo, porque temos que ler tudo se gostarmos do que está escrito, e se não gostarmos, não lemos. Poucos blogs e revistas conseguem fazer uma história ou texto que prenda o leitor naquelas palavras, para que ele pense "Oh, eu gosto disso." em vez de "Puxa, que chato.", e espero realmente que meu blog consiga fazer isso.
Obrigada.


Fonte: http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/02/gula-do-cartel-da-merenda.html e Revista Época. Todos os direitos reservados. "A Gula do Cartel da Merenda" é reportagem da revista Época, com todos os direitos reservados.

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